Santo Agostinho e a Doutrina Espírita (II)

Agostinho nasceu em 354, no norte da África romana, na Numídia, e viveu 76 anos, dos quais 43 dedicados ao Cristianismo. Um espírito marcante nas duas das três revelações: na formação do pensamento cristão e na codificação do Espiritismo.

E por que no Espiritismo? Em 1863, em mensagem recebida em Paris, Erasto afirmou que Santo Agostinho seria um dos maiores divulgadores da Doutrina Espírita. Esta condição denota o seu entusiasmo e amor pelo Espiritismo. E quem foi Erasto? Como afirma Allan Kardec, em “O Livro dos Médiuns”, no capítulo 5, seria discípulo de Paulo de Tarso.

Paulo faz referência a ele na segunda epístola a Timóteo. Na epístola aos romanos, encontramos, nas saudações finais, o relato de que Erasto tinha um cargo público em Corinto, provavelmente tesoureiro. Em 1947, a arqueologia obteve indícios que confirmam tal posição.

Várias mensagens de Erasto foram incluídas em “O Evangelho segundo o Espiritismo”, onde destacamos a famosa “A missão dos espíritas”. Melhor referência para Santo Agostinho não poderíamos encontrar.

Quanto ao Cristianismo, depois de Paulo foi quem mais o influenciou. A sua importância foi dar corpo ao Cristianismo, universalizá-lo quanto possível, independentemente do Império Romano, que começava a desabar no século V, invadido pelos bárbaros. Para dar corpo, era preciso unificá-lo já que na sua época existiam dezenas de cristianismos, cada um dos quais afirmando ser a mensagem autêntica do Cristo. Assim, existiam cristãos maniqueus, pelagianos, donatistas, gnósticos, monofisistas, nestorianos, atólicos, católicos romanos, entre outros. Agostinho, a despeito de tantas teologias cristãs em litígio, rompeu o caminho rumo ao Cristo.

Atualmente o foco de atenção do agostianismo é a sua preocupação com a alma. Agostinho foi o primeiro a estudar a alma, a ponto de muitos o considerarem o precursor de Freud, que viveria cerca da 16 séculos depois. Foi ele o primeiro a discernir no fundo do nosso ser as forças obscuras que fora da consciência clara e do livre exercício da vontade podem determinar nosso comportamento, o que Freud chamou de inconsciente. A psicologia de Agostinho é introspectiva quando ele afirmava que o fundamento da alma é sua contínua autoconsciência.

Assim Agostinho tinha um coração inquieto pela busca incessante do conhecimento.Na juventude seguiu o maniqueísmo, filosofia que misturava elementos do Cristianismo com o mazdeísmo Persa. Depois, tornou-se neoplatônico, para, finalmente, converter-se ao Cristianismo.

Por fim, o que mais nos aproxima dele é a sua luta contra os seus defeitos. É certo que estamos mais próximos de Agostinho do que de Paulo, um espírito amante das virtudes. É famosa a frase de Agostinho: “Senhor, dai-me a castidade, mas não agora”.

Parece-nos que Agostinho, no século V, formulou questões que somente seriam respondidas pela Doutrina Espírita com a sua participação como Espírito. Quando Mônica, sua mãe, desencarnou em Óstia, após haver cumprido sua missão de tornálo cristão, Santo Agostinho iria afirmar: “Estou certo que minha mãe virá visitarme e dar-me conselhos, revelando-nos o que nos espera na vida futura”. Esta frase é de um espírita no século V.

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